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sábado, 04 junho 2016 06:14
Expert Insight

A sobrevivência global como endpoint em imuno-oncologia

No dia de arranque da reunião anual da ASCO, são já milhares os que passam pelos corredores do McCormick Place, em Chicago, entre os quais a Dr.ª Ana Castro, recém-chegada ao congresso norte-americano. A atual presidente do Grupo de Estudos Cancro da Cabeça e Pescoço, numa “flash interview”, passou-nos as ideias gerais do que se pode esperar.

A oncologista do Hospital de Santo António é uma participante regular no congresso da ASCO, tendo participado nos últimos 10 anos. O motivo para tal reside no facto de este ser “um dos congressos mais importantes a nível mundial, sendo aqui que surgem as maiores novidades e são apresentados os grandes estudos na área da Oncologia.”

News Farma (NF) | Os Highlights da ASCO são um dos pontos do programa do 6.º Simpósio do Cancro da Cabeça e Pescoço, do Grupo de Estudos que preside. Que expetativas tem para esta ASCO 2016? E o que importa trazer levar para Portugal sobre esta área em concreto?

Dr.ª Ana Castro (AC) | Trazer para os colegas as informações do que foi apresentado neste congresso é importante, sobretudo para quem não pode participar. As minhas expetativas recaem inevitavelmente na imuno-oncologia. São essas as sessões que mais me interessam nas diferentes neoplasias, dado que é onde existem novidades no momento.

NF | Neste congresso serão apresentados dados de sobrevivência a longo prazo para um conjunto alargado de tumores, incluindo o cancro da cabeça e pescoço. O que se perspetiva para os novos resultados?  E considera que poderão trazer melhorias substanciais para a sobrevivência destes doentes?

AC | Mantenho algumas expetativas acerca dos resultados do nivolumab no tratamento do cancro de cabeça e pescoço metastizado em 2.ª linha. Estou convencida que proporcionarão melhorias, sobretudo num contexto onde até à data não existiam alternativas terapêuticas.

NF | Qual a sua opinião sobre os fármacos mais recentes disponíveis para tratar o cancro do pulmão, nomeadamente os agentes imunoterapêuticos?

AC | São fármacos que utilizam um novo conceito, com um perfil de segurança diferente, com um impacto importante na qualidade de vida e na sobrevivência global dos doentes.

NF | E que comentário faz a esta necessidade de encontrar endpoints efetivos para a imuno-oncologia, tendo em conta os estudos que têm sido desenvolvidos?

AC | Até agora, para a quimioterapia convencional, os endpoints eram a sobrevivência livre de progressão (PFS). Mas hoje em dia, com a imuno-oncologia e as respostas sustentadas, o endpoint mais correto parece voltar a ser a sobrevivência global (OS), que foi durante muito tempo o requisito para aprovação de fármacos pelas autoridades regulamentares nacionais e internacionais.

NF | E na sua perspetiva, que endpoint(s) permitirá(ão) aferir melhor o benefício destes tratamentos?

AC | Considero que será a qualidade de vida associada à sobrevivência global.

NF | Apesar do cancro na área da cabeça e pescoço ser o sexto tipo de cancro mais comum na Europa  - com metade da incidência do cancro do pulmão e o dobro da incidência do cancro do colo do útero, ainda se verifica uma baixa consciencialização na população para este tipo de doença oncológica. Considera que há alterações neste panorama em Portugal?

AC | Pensamos que as campanhas europeias levadas a cargo pelo Grupo de Estudos da Cabeça e Pescoço têm, anualmente, ajudado na divulgação dos fatores de risco e na possibilidade de diagnóstico precoce.

NF |É verdade que mais de 60 % das pessoas diagnosticadas com este tipo de cancro apresenta doença localmente avançada no momento do diagnóstico? De que opções e tratamentos dispõem os doentes portugueses, e o que é expetável em termos de sobrevida?

AC |Sim, infelizmente ainda mantemos uma taxa elevada de doentes com doença localmente avançada ao diagnóstico. Neste momento dispomos de cirurgia, radioterapia, quimioterapia, ou quimioterapia de indução seguida de radio e quimioterapia. Dependendo dos resultados obtidos, poderemos ainda pensar numa doença com potencial curativo.

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