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sábado, 04 junho 2016 06:25
Atualidade

A associação de quimioterapia e capecitabina prolonga a sobrevivência

Cirurgia do cancro do pâncreas

O cancro do pâncreas continua a ser um dos tumores mais difíceis de tratar. Descobrir que a adição de uma quimioterapia genérica ao tratamento, não só aumenta a sobrevivência destes doentes, como tem pouco impacto na sua qualidade de vida (QoL), constitui um avanço enorme.

A quimioterapia adjuvante com gemcitabina é atualmente o standard of care no tratamento do cancro do pâncreas, após remoção cirúrgica do tumor. Um dos maiores ensaios clínicos Europeus de fase III conduzidos em cancro do pâncreas demonstrou agora que a adição de capecitabina à gemcitabina prolonga a sobrevivência nestes doentes, sem acréscimo de toxicidade.

“Infelizmente, a maioria dos doentes diagnosticados com cancro do pâncreas não são candidatos a cirurgia quando”, afirmou o Dr. John P. Neoptolemos, chefe de cirurgia do Department of Molecular and Clinical Cancer Medicine da Universidade de Liverpool, no Reino Unido. “Estas descobertas são significativas porque demonstram que, mediante a associação de duas quimioterapias habitualmente utilizadas, os doentes candidatos a cirurgia têm uma possibilidade de lutar e sobreviver a este cancro.”

Com 732 doentes incluídos, o ensaio do European Study Group for Pancreatic Cancer (ESPAC) 4 é o segundo maior ensaio alguma vez conduzido em doentes com cancro do pâncreas submetidos a cirurgia. No espaço de 12 semanas após a intervenção, doentes com adenocarcinoma do pâncreas em estadio inicial foram aleatorizados para receber apenas gemcitabina ou gemcitabina mais capecitabina durante 24 semanas.

A mediana de sobrevivência global (OS) foi de 28.0 meses com o regime de associação vs. 25.5 meses apenas com gemcitabina. As taxas de sobrevivência a 5 anos estimadas foram de 28.8% vs. 16.3% nos dois grupos. “A diferença na mediana de sobrevivência pode parecer modesta, mas o benefício na sobrevivência a longo prazo é substancial para este tipo de cancro”, salientou o Dr. Neoptolemos. “Passámos de uma taxa de sobrevivência a 5 anos de 8% apenas com cirurgia para quase 30% com a terapêutica adjuvante.”

De acordo com os autores, as características dos doentes eram representativas de uma população real de doentes com cancro pancreático. Uma grande proporção dos doentes tinha fatores de prognóstico desfavoráveis, como doença localmente avançada ou agressiva, tumores de grande dimensão, ou ressecação incompleta do tumor. “A vantagem de sobrevivência com o regime de associação foi semelhante independentemente desses fatores. Para além disso, doentes que tinham sido fumadores mas interromperam após o diagnóstico tiveram melhores outcomes do que os que continuaram a fumar.”

No conjunto, não se verificaram diferenças significativas no tipo e gravidade de efeitos secundários entre os dois grupos. Os episódios de diarreia grave foram ligeiramente mais comuns com a associação (14 vs. 5 doentes), tal como os de fadiga (16 vs. 14 doentes). A qualidade de vida também foi comparável entre os dois grupos.

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