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quarta, 01 junho 2016 18:24
Atualidade

Um olhar prévio na investigação em análise

A Reunião Anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO) chegou a Chicago. Até 7 de junho, mais de 30.000 profissionais de Oncologia vindos de todo o mundo irão discutir os resultados mais recentes do tratamento, novas terapêuticas e cuidados centrados no doente oncológico. O tema da ASCO 2016 é"Collective Wisdom: The Future of Patient-Centered Care and Research”, aludindo à importância da multidisciplinaridade do tratamento nestes doentes.

Com novos dados a ser revelados durante o congresso, podem desde já ser conhecidos os resultados da investigação nos seguintes tópicos:

  • A localização importa no cancro colo-retal

  • Cuidados paliativos: não só para os doentes

  • O transplante de células estaminais continua a ser importante para o mieloma múltiplo

  • A utilização de biomarcadores pode melhorar o tratamento do cancro

 

A localização importa no cancro colo-retal

Os investigadores descobriram que um tumor colo-retal situado no lado esquerdo do corpo pode ter características diferentes de um tumor situado no lado direito.

Um estudo que avaliou bevacizumab e cetuximab em 1.ª linha em doentes com cancro colo-retal metastático demonstrou um beneficio de sobrevivência global (OS) nos doentes com tumores situados no lado esquerdo do corpo em comparação com os que apresentavam tumores no lado direito (33 versus 19 meses).

Foi também encontrada uma ligeira diferença na resposta ao cetuximab ou bevacizumab com base no local de origem do tumor. Por exemplo, doentes tratados com bevacizumab com tumores no lado direito viveram mais 7 meses comparativamente aos indivíduos tratados com cetuximab. Por outro lado, doentes com tumores no lado esquerdo que receberam cetuximab viveram mais 6 meses que aqueles que receberam bevacizumab.

O que significa isto? No futuro, os médicos poderão utilizar esta informação para determinar quais as melhores opções terapêuticas para cada doente.

“Estas descobertas irão provavelmente mudar a forma como abordamos o tratamento e a investigação no cancro colo-retal, à medida que vamos aprofundando o conhecimento sobre os mecanismos biológicos que conduzem às diferenças de resposta ao tratamento nos tumores do lado direito e do lado esquerdo do corpo.”

- Investigador principal do estudo, Dr. Alan P. Venook, Professor de Medicina na University of California, São Francisco

Cuidados paliativos: não só para doentes

Investigadores descobriram que o início precoce dos cuidados paliativos em doentes com diagnóstico recente de cancro traduz-se numa melhoria da qualidade de vida e em menos sintomas de depressão para os familiares cuidadores destes doentes.

Um estudo realizou questionários aos familiares destes doentes no início e durante o tratamento paliativo, de forma a avaliar o bem-estar físico e mental dos cuidadores ao longo do tempo. Os indivíduos que participaram no estudo eram familiares de doentes recentemente diagnosticados com cancro incurável do pulmão ou cancro gastrointestinal que estavam a receber tratamento como parte de um ensaio clínico.

O estudo demonstrou que os familiares de doentes que tinham recebido precocemente cuidados paliativos apresentavam menos sintomas de depressão aos 12 e 24 meses em comparação com os cuidadores de doentes que apenas receberam o tratamento padrão. Adicionalmente os seus níveis sociais e de vitalidade aumentaram após os 12 meses de tratamento paliativo.

O que isto significa? Os cuidados paliativos não só ajudam os doentes mas também os seus familiares.

“Enquanto que os doentes recebem um benefício direto dos cuidados paliativos precoces, os seus familiares experimentam um efeito positivo, o que pode tornar mais fácil a tarefa de cuidar dos seus entes queridos.”

- Investigador principal do estudo, Dr. Areej El-Jawahri, Diretor do Programa Bone Marrow Transplant Survivorship no Massachusetts General Hospital Cancer Center

 

O transplante de células estaminais continua a ser importante para o mieloma múltiplo

No estudo em questão, os doentes com mieloma múltiplo que receberam transplante autólogo de células estaminais (ASCT) têm menor probabilidade (-24%) de progredir no futuro do que os doentes que receberam apenas quimioterapia. O benefício foi muito maior para os doentes com doença avançada (-48%).

Os doentes receberam inicialmente uma combinação de bortezomib, ciclofosfamida (Neosar) e dexametasona como parte do estudo. Posteriormente, receberam ASCT ou quimioterapia com bortezomib, melfalano e prednisona, combinação designada por VMP. Todos os doentes continuaram em tratamento após ASCT ou VMP até progressão da doença ou toxicidade inaceitável.. Este tratamento consistiu numa associação de bortezomib, lenalidomida e dexametasona ou apenas lenalidomida. Este estudo ainda está a decorrer, e os resultados que serão discutidos referem-se às diferenças entre ASCT ouVMP.

O que significa isto? Desde a sua aprovação em 2008 que o bortezomib faz parte do tratamento convencional para os doentes recentemente diagnosticados com mieloma múltiplo, independentemente de poderem tolerar um transplante. De uma forma geral, os doentes com mais de 65 anos não são candidatos a ASCT. Para aqueles com idade inferior a 65 anos, tem sido debatida a necessidade contínua de transplante, agora que estão disponíveis fármacos como o bortezomib.

“Embora o tratamento sem ASCT com novos agentes continue a ser uma perspetiva intrigante, a realidade é que o transplante de células estaminais continua a ser uma abordagem poderosa e comprovada, que será ainda mais efetiva com a adição de novos agentes.”

- Investigador principal do estudo, Dr. Michele Cavo, director do Seràgnoli Institute of Hematology na University of Bologna

 

A utilização de biomarcadores pode melhorar o tratamento do cancro

Uma análise de diversos estudos recentes demonstrou que os doentes que estavam a ser tratados com um esquema terapêutico selecionado com base nas características moleculares do tumor apresentavam uma menor probabilidade de progressão da doença e uma maior probabilidade de redução do tamanho do tumor.

Nesta análise, os investigadores avaliaram 351 estudos, dos quais 58 utilizaram biomarcadores ou marcadores tumorais para selecionar o tratamento oncológico. Todos os estudos, exceto um, estavam a avaliar uma terapêutica alvo.

Foi demonstrado que cerca de 31% dos doentes que receberam tratamento baseado em biomarcadores apresentaram uma redução do tamanho do tumor comparativamente a 5% dos doentes que não receberam tratamento com base nos seus biomarcadores.

O que significa isto? Os estudos de fase I habitualmente focam-se na avaliação da segurança de tratamentos específicos. Esta análise sugere que estes estudos iniciais poderão ajudar a descobrir que subgrupo de doentes é mais suscetível e beneficiará mais com esta nova abordagem terapêutica.

“Com a medicina de precisão podemos utilizar os biomarcadores tumorais do próprio doente para determinar quando é que ele próprio vai beneficiar de uma terapêutica em particular, mesmo quando essa terapêutica ainda se encontra num estadio precoce de desenvolvimento clínico”

- Investigador principal do estudo, Dr. Maria Schwaederle do Center for Personalized Cancer Therapy da University of California San Diego School of Medicine

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